sexta-feira, 28 de novembro de 2008

PORRADA NELES

As cidades estão ficando mais iluminadas, é o sinal, o natal "CHEGOU".
As casas piscam, as lojas estão coloridas, o vermelho está em todo lugar.
O vermelho do amor? ou seria o vermelho do sangue?
O sangue das crianças que não têm Papai Noel, que não têm meia para colocar na janela, ou melhor, não têm janela.
O sangue dos Palestinos, derrubados pelas ideologias, lutando pela vida, por um pedaço de terra, por uma crença.
O sangue das mulheres violentadas, abusadas, oprimidas, dizimadas socialmente, ou ainda, o sangue da menstruação, dos hormônios que se vão, da dúvida que se vai, de uma vida que não vem.
O sangue dos homens-escravos que trabalham por um pedaço de pão mofado e sujo. Homens de mãos calejadas, de olhar sombrio, de alma oprimida.
Vamos comemorar mais um natal, um natal vermelho, mas dessa vez com um "sangue" diferente, vamos tirar "sangue" dos Papai Noel de shopping, dos Excelentíssimos Deputados e Senadores que não suam o ano inteiro, do "capitalismo selvagem" que padroniza e naturaliza o "sentido da vida".
Vamos fazer um NATAL pra tod@s, qual sentido de um NATAL pra pouc@s?
Pra quê NATAL? Pra QUEM NATAL?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Carlos Drummond de Andrade

AMAR

QUE PODE UMA CRIATURA SENÃO,
ENTRE CRIATURAS, AMAR?
AMAR E ESQUECER,
AMAR E MALAMAR,
AMAR, DESAMAR, AMAR?
SEMPRE, E ATÉ DE OLHOS VIRADOS, AMAR?

QUE PODE, PERGUNTO, O SER AMOROSO,
SOZINHO, EM ROTAÇÃO UNIVERSAL, SENÃO
RODAR TAMBÉM, E AMAR?
AMAR O QUE O MAR TRAZ À PRAIA,
O QUE ELE SEPULTA, E O QUE, NA BRISA MARINHA,
É SAL, OU PRECISÃO DE AMOR, OU SIMPLES ÂNSIA?

AMAR SOLENEMENTE AS PALMAS DO DESERTO,
O QUE É ENTREGA OU ADORAÇÃO EXPECTANTE,
E AMAR O INÓSPITO, O ÁSPERO,
UM VASO SEM FLOR, UM CHÃO DE FERRO,
E O PEITO INERTE, E A RUA VISTA EM SONHO, E UMA AVE DE RAPINA.

ESTE O NOSSO DESTINO: AMOR SEM CONTA,
DISTRIBUÍDO PELAS COISAS PÉRFIDAS OU NULAS,
DOAÇÃO ILIMITADA A UMA COMPLETA INGRATIDÃO,
E NA CONCHA VAZIA DO AMOR A PROCURA MEDROSA,
PACIENTE, DE MAIS E MAIS AMOR.

AMAR A NOSSA FALTA MESMA DE AMOR, E NA SECURA NOSSA
AMAR A ÁGUA IMPLÍCITA, E O BEIJO TÁCITO, E A SEDE INFINITA.

sábado, 15 de novembro de 2008

Chove...

No cerrado chove...
Chove para o merecido descanço do cantar das cigarras.
Chove para umidecer a terra seca.
Chove para que a manga caia.
Chove para que o piqui desabroche.
Chove para que o verde apareça,
as flores amolguem
e o Amor floresça.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Simplesmente existir

Passei o dia existindo... De repente percebi que há algum tempo passo o dia simplesmente existindo. Penso, logo... Existo porque sinto. Sinto porque penso. Penso, logo insisto. Insisto na vida... Insisto, para que aconteça.
Para que simplesmente aconteça.